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O design thinking é um conceito que busca solucionar problemas com uma estratégia de inovação. Embora associado ao desenvolvimento de produtos e serviços, é mais amplo do que essa entrega. 

Da área de saúde à tecnologia, o design thinking tem inspirado produtos orientados aos usuários em diversos segmentos e indústrias. Startups, organizações não lucrativas e inúmeras empresas têm buscado entender as necessidades dos usuários e descobrir insights que conduzam a ideias inovadoras.

De acordo com o autor do livro “Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias”, a abordagem alia novas tecnologias às necessidades humanas:  

“O design thinking se baseia em nossa capacidade de ser intuitivos, reconhecer padrões, desenvolver ideias que tenham um significado emocional além do funcional, expressar-nos em mídias além de palavras ou símbolos”. Tim Brown

 

As duas principais funções do design thinking são expandir o conceito de design para propor soluções aos desafios que empresas e pessoas enfrentam, e possibilitar ao usuário encontrar as melhores respostas para os problemas do seu cotidiano.

O design thinking é considerado mais empático e humano porque prioriza critérios as experiências e necessidades reais das pessoas no lugar dea premissas inflexíveis. A abordagem também não parte de um único método pré-definido, ao contrário, estimula os insights ao reunir pessoas de diferentes backgrounds. No desenvolvimento de um produto através do design thinking, o consumidor final está tão envolvido no processo quanto os colaboradores da empresa.

Aplicando o design thinking em 4 etapas

O design thinking costuma ser apresentado em 3, 4, 5 e até 6 etapas. Para ilustrar os exemplos brasileiros de design thinking que serão apresentados mais adiante neste artigo, vamos partir da metodologia de 4 etapas essenciais. São elas:

  1. Imersão

É impossível descobrir como um produto ou serviço pode resolver as dores de um determinado público se você não conhecer a história dos mesmos e a  do consumidor. O design thinking começa como todo processo eficiente: com um mergulho profundo no contexto. A etapa de Imersão envolve muita pesquisa:

  • Análise SWOT: ferramenta de planejamento estratégico na gestão de projetos, usada para analisar cenários e auxiliar na tomada de decisões assertivas;. 
  • Benchmarking: análise das melhores práticas da concorrência;
  • Big Data: análise de todos os dados coletados pela empresa sobre o produto e o usuário;
  • Feedback dos clientes: avaliação dos usuários sobre produtos e serviços da empresa.
  1. Ideação

A ideação busca identificar os pontos a serem aprimorados. O brainstorming faz parte desta etapa, e as ideias devem fluir sem filtros para que todos dividam seus insights.

  1. Prototipação

A prototipação é o momento de pôr a mão na massa. Podemos comparar essa etapa com o jogo treino que os times profissionais de futebol fazem antes da temporada contra uma equipe menor, para que o treinador possa testar jogadas, esquemas táticos, posicionamentos e o plantel. Nessa etapa do design thinking, a equipe responsável pelo projeto escolhe os melhores insights da ideação e cria protótipos para testar suas efetividades. Após realizar os testes, as ideias que funcionam na prototipagem são encaminhadas para serem aperfeiçoadas na implementação.

  1. Implementação

A etapa final do design thinking culmina no momento de apresentar ao público a solução. O produto ou serviço já é consistente para ser apresentado ao mercado através de estratégias de comunicação. A implementação pode ser a etapa final do processo produtivo do design thinking, mas não é o fim da linha. Produtos e serviços de design thinking podem e devem ser melhorados com o tempo. Como as estratégias de usabilidade são orientadas às pessoas, a sua evolução depende da participação de clientes, fornecedores e colaboradores.

Conheça cases brasileiros de produtos e serviços baseados em design thinking

 

1 – Plataforma Serviço de Gestão – Conselho Estadual do Idoso de São Paulo

É raro associarmos projetos de tecnologia e usabilidade com a terceira idade. Muitas vezes, a sensação é de que nem todos os públicos são contemplados por soluções tecnológicas no seu dia a dia, especialmente um grupo de pessoas que cresceu e viveu por décadas sem cogitar a utilização dos recursos digitais, tão recorrentes no contexto atual. 

O IBGE projeta que em 2060, os idosos representarão 25,5% dos brasileiros. E serão idosos dependentes de todos os dispositivos eletrônicos que o futuro reserva.  

Em fevereiro de 2021, o Fundo Estadual do Idoso (FEI) aprovou e investiu na Plataforma Serviço de Gestão, desenvolvida a partir das 4 etapas do Design Thinking. Pensando não apenas no idoso de 2060, mas também nos quase 20% da população com mais de 60 anos em 2021, a plataforma tem como objetivo dar maior visibilidade à pauta e tornar a informação acessível a idosos através do site e do aplicativo.

Alguns dos principais diferenciais da Plataforma de Gestão são focados no idoso como usuário:

  • Diálogo com público mais diverso;
  • Design mais amigável;
  • Facilidade de navegação;
  • Maior atratividade;
  • Melhor organização dos temas e documentos públicos do CEI (Conselho Estadual do Idoso) e FEI;
  • Transparência e divulgação de dados sobre o FEI;
  • Publicação dos editais de projetos;
  • Publicação de conteúdos autorais do CEI e demais conteúdos relevantes sobre políticas públicas para idosos.
  1. Projeto Biblioteca – Prefeitura de Santos – SP

Fonte: tellus.org.br

Com a aplicação da metodologia do design thinking, o Instituto Tellus desenvolveu uma solução para renovar as bibliotecas das escolas públicas de Santos-SP. Mais de 1.000 pessoas da comunidade escolar e educacional do município estiveram envolvidas na coleta de dados e informações para o desenvolvimento do projeto.

Os principais objetivos do Projeto Biblioteca eram renovar e ampliar o mobiliário das bibliotecas escolares, instrumentalizar com equipamentos tecnológicos, criar oficinas de orientação e formação da equipe pedagógica e apresentar práticas pedagógicas que pudessem ser utilizadas nas bibliotecas. Ao transformar os ambientes das bibliotecas, o espaço passa a ser mais atrativo para os estudantes. O Design Thinking foi aplicado da seguinte maneira:

  1. Entendimento
    Objetivo: sair a campo, observar, ouvir as pessoas, suas necessidades e anseios, tentando entender o serviço e seus desafios. Ferramentas utilizadas: Entrevistas individuais, oficinas de entendimento, pesquisa secundária, pesquisa de observação, um dia na vida.
  2. Análise
    Objetivo: esquematizar os insights das entrevistas, oficinas, visitas e pesquisas de referência. Ferramentas utilizadas: jornadas, desenho de perfis, mapeamento 8 de desafios.
  3. Desenvolvimento
    Objetivo: criar soluções para os desafios encontrados, usar oportunidades percebidas na pesquisa e selecionar as soluções que serão implementadas. Ferramentas utilizadas: oficinas de cocriação, brainstorms, matrizes de priorização.
  4. Implementação
    Objetivo: tornar as ideias e soluções em projetos executáveis, fazendo testes com os participantes do projeto e aplicando as soluções propostas.
    Ferramentas utilizadas: desenho de protótipos, oficinas de prototipagem, roadmap de implementação, articulação com atores, sistematização de compras, acompanhamento de cronograma de execução. Suporte ao monitoramento das entregas de compras, montagem dos espaços, suporte ao monitoramento dos fornecedores e suas entregas, apoio ao soft opening dos espaços. Desenvolvimento de materiais gráficos, comunicação com os atores envolvidos, vistoria final dos espaços, especificação técnica de compras, apoio na definição de equipe e/ ou responsáveis, apoio no lançamento dos espaços, sistematização do instrumento de avaliação.

3 – Aplicativo Alerta Indígena Covid-19 

 

Os povos indígenas foram um dos grupos mais afetados pelo Covid-19. Tendo em vista o cenário alarmante destas populações, o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), a COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) e a Rainforest Alliance se uniram para mapear os casos entre as tribos e detectar o cenário real. Assim nasceu o aplicativo Alerta Indígena Covid-19, buscando evitar um maior risco de mortes nas aldeias.

Impactando mais de 500 mil usuários, o app ganhou outra função com o avanço da vacinação nos territórios indígenas. O Alerta Indígena Covid-19 agora se trata de uma plataforma de coleta de dados, visando auxiliar os indígenas a terem acesso a mais informações sobre saúde. 

4- Natura

Fundada em 1963, a Natura é uma empresa brasileira de perfumes e cosméticos presente em mais de 60 países. A Natura também sempre teve um DNA inovador. Antes de certas condutas serem exigências de empresas deste segmento, a Natura já oferecia produtos com refis na década de 1980. Em 2007, aderiu ao Programa Carbono Neutro.  A Natura ocupa o 6º de empresas de cosméticos que mais vendem no mundo, enquanto seu maior  concorrente no Brasil, O Boticário, ocupa a 17ª colocação.

Desde 2012, a Natura firmou uma consistente parceria com o Media Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT), centro de pesquisa referência em inovação, design e tecnologia, visando aprimorar a experiência dos seus consumidores. O design thinking é utilizado pela marca durante a criação de novos lançamentos, como o bem-sucedido case de shampoos e condicionadores Sou. 

O objetivo era desenvolver produtos para cabelo 30% mais baratos que a linha básica da marca. Além deste desafio, a Natura ainda precisava reduzir em 50% o impacto ambiental das embalagens destes produtos em relação aos outros do seu portfólio. Ao visitarem as casas dos consumidores, os pesquisadores da marca perceberam que as pessoas preferiam refis porque são mais baratos e ocupam menos espaço. Através do design thinking, a Natura criou uma embalagem 70% mais barata e que ocupa menos espaço que a média de outros shampoos. A linha Sou é o produto mais sustentável da empresa.

  1. Havaianas

“As legítimas” e “todo mundo usa”. Um clássico brasileiro assim como seus slogans, as sandálias Havaianas estão no mercado desde 1962. E não apenas no Brasil, já conquistaram países distintos como Austrália, Índia, Inglaterra e França. Associadas à originalidade, alegria, diversão e conforto, as Havaianas sempre foram um símbolo de despretensão. Até 2008, quando a marca procurou a IDEO, uma consultoria referência em design thinking. A ideia era lançar uma linha de bolsas no refinado São Paulo Fashion Week (SPFW) daquele ano, sem abrir mão do mood original do produto.

Após uma série de brainstorms, foram realizadas as próximas etapas do design thinking, com o desenvolvimento dos croquis, além de esboços à mão dos calçados e dos protótipos das bolsas. A bolsa foi apresentada naquela edição do SPFW e ganhou passarelas e vitrines além do Brasil em 2009.

  1. Uber Eats

O Uber Eats é um serviço de delivery de alimentos da Uber que surgiu através de um processo de design thinking. Designers da Uber em cidades do mundo todo foram conferir onde os clientes da Uber vivem, trabalham e se alimentam, já visando o mercado de delivery. A equipe da empresa realizou entrevistas com donos de restaurantes, clientes e entregadores. O objetivo era entender a cultura gastronômica das localidades e observar as pessoas usando os recursos do Uber no seu dia a dia. A fase de imersão foi chamada de Programa Walkabout.

Os designers seguiram acompanhando o Uber Eats após seu lançamento para aprimorar o serviço e as funcionalidades do app. As ideias surgem em encontros de design thinking, que fazem parte da rotina das equipes. O Uber Eats já faz frente ao iFood e outros aplicativos de delivery, com a vantagem do motorista poder realizar viagens e fazer entregas ao mesmo tempo, e dashboards onde o restaurante acompanha e ajusta os pedidos do seu menu.

  1. Ambev

A Ambev é a maior produtora de bebidas do Brasil. No entanto, a Tônica Antarctica, um produto que estava no seu portfólio desde 1914, encontrava dificuldades para sair das gôndolas e prateleiras. Em 2017, o núcleo interno de inovação e programas de impulsionamento de startups da Ambev reposicionou a marca da Tônica em um ótimo exemplo de design thinking.

Para descobrir se os jovens conheciam o produto, a Ambev convidou a Questonnò, consultoria internacional de estratégia e design, para literalmente ir ao bar e conversar com o público. Como desde que a humanidade é humanidade as pessoas possuem uma tendência a se abrirem mais em mesas e balcões de bares, acabou se descobrindo na pesquisa que a geração que desconhecia a Tônica também compartilhava um sentimento de insegurança em relação à carreira e às finanças. O insight sobre a transição para a vida adulta gerou a chamada “O amargo transforma”.

 

A abordagem do design thinking para reposicionar a Tônica Antarctica resultou em mais consumidores, e em planos para estender a linha de produtos da marca.

 

  1. Sala de Ressonância do Hospital das Clínicas, USP

Fonte: saopaulo.sp.gov.br

Um exame como a ressonância magnética pode ser incômodo para qualquer adulto. Permanecer imóvel em um tubo branco por alguns bons minutos pode não ser muito agradável. Apesar de comum, o exame costuma ser traumático para a maioria das pessoas. Imagine para uma criança. O staff médico do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) pensou  inspirado em experiências positivas em hospitais infantis dos Estados Unidos, transformou a Sala de Ressonância em uma colorida e lúdica viagem de submarino ao fundo do mar.

O resultado deste design thinking transforma o processo com um solução criativa, viável, comprovada e que soluciona as necessidades dos pequenos pacientes.

  1. Hospital Israelita Albert Einstein

A área da saúde tem sido uma das mais beneficiadas pela tecnologia nos últimos anos. O Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, proporcionou a criação de uma Diretoria de Inovação e Gestão do Conhecimento, com foco em transformar ideias em novos produtos e serviços em saúde e disponibilizá-los para o tratamento dos pacientes.

Fonte: archdaily.com

A Diretoria de Inovação é dividida nas seguintes áreas: Centro de Inovação Tecnológica (CIT), Innovation Lab, Desenvolvimento de Novos Serviços e Startup. O CIT, por exemplo, disponibiliza ferramentas e presta assessoria técnica aos colaboradores a fim de gerarem ideias, produtos e processos.

O núcleo tem por objetivo difundir a cultura de inovação por meio de cursos de propriedade intelectual para os gestores, e promover workshops de criatividade e Design Thinking envolvendo todos profissionais do hospital.

 

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Quem escreveu este conteúdo:

Matias Lucena

Matias Lucena, bacharel em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), redator publicitário, ilustrador de final de semana e apaixonado por música, futebol, quadrinhos e cinema. The Wire é o melhor storytelling da TV, mas meu coração vai estar sempre com a Família Soprano.

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