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Justin Reich, Professor de Estudos Comparativos de Mídia, Diretor do Laboratório de Sistema de Ensinos na MIT e autor do livro “Failure to Disrupt: Why Technology Alone Can’t Transform Education”, afirmou sobre o auxílio da tecnologia na educação: “Na realidade, ensinar através do Zoom é um pouco como ensinar através de um buraco de fechadura, com algum esforço estranho, pessoas podem ouvir e ver o que está acontecendo do outro lado. Mas não é realmente produtivo para uma conversa significativa”. 

Jovens estudantes estão fazendo login no Zoom para ter aulas. Professores estão postando o dever de casa em plataformas de ensino. Pais estão tirando a poeira de laptops antigos para que seus filhos do ensino fundamental possam aprender frações. 

Todas essas situações começaram a ser comuns a partir de 2020, quando a pandemia da COVID-19 obrigou diversas pessoas a combinarem educação e tecnologia.

Mercado Global de Tecnologia da educação

Mercado Global de Tecnologia da educação

Tecnologia educacional (EdTech) não apareceu de forma mágica quando o coronavírus se espalhou mundo afora, mas professores de todos os cantos começaram a confiar neste conceito mais do que nunca para completar até mesmo as tarefas mais básicas.

Durante o processo, houveram dificuldades inevitáveis, mas depois de um ano de educação remota para alunos de todos os níveis, ficou bastante claro que a EdTech entrega uma série de benefícios. Inovações na sala de aula continuarão a se desenvolver apenas se todos nos sentirmos confortáveis com a ideia de um aprendizado remoto.

Nós precisamos do desenvolvimento de tecnologia disruptiva agora mesmo para ajudar o ensino remoto, priorizando a educação e o entendimento dos papéis da sala de aula agora e no futuro.

Além da aula virtual: quando a tecnologia oferece insights sobre aprendizado e ensino

Enquanto a sala de aula virtual tem auxiliado o segmento da educação em diversos níveis, existe ainda uma lacuna crescente entre aprendizado remoto e aprendizado presencial. Pode parecer óbvio, mas as inovações tecnológicas do mercado ainda precisam resolver isso – principalmente de duas maneiras:

Colaboração pessoa para pessoa:

Com os estudantes de hoje em dia sedentos por comunicação pessoal, a necessidade de ferramentas e tecnologias que podem facilitar a colaboração em um ambiente mais próximo de ser presencial é absolutamente crítico. Pesquisas mostraram que revisão pessoa-a-pessoa pode resultar em 80% de retenção, e os alunos memorizam mais quando sensações múltiplas são estimuladas, como é o caso da interação social entre pares. Com tantos estudantes necessitando de socialização atualmente, a capacidade de melhorar a retenção de estímulos múltiplos com suporte real pessoa para pessoa deve ser um componente essencial para qualquer desenvolvimento tecnológico destinado a tornar o processo de aprendizado melhor e mais eficiente.

Facetime aluno e professor:

Quanto mais remotos se tornam o ensino, as palestras e os tutoriais, existe um aumento do papel da tecnologia para aproximar educadores e pupilos em tempo real, ajudando professores a avaliar as habilidades de seus alunos, o mais próximo do ambiente educacional físico.

Precisamos providenciar tecnologias poderosas para os educadores, que realmente ajudem no processo de aprendizado, crescendo com esse ambiente que constantemente muda. A tecnologia não serve apenas para ajudar o ensino e o aprendizado, mas vai além e proporciona insights sobre a forma que os estudantes aprendem, podendo ajudar os professores a adaptarem as aulas e avaliar o progresso dos alunos e as metas de longo prazo.

O papel da tecnologia na educação

Se hoje em dia existem tecnologias tão avançadas disponíveis no mercado, porque os educadores ainda encontram dificuldades para identificá-las e integrá-las às suas rotinas diárias de ensino?

Número de visitas a sites de startups de tecnologia da educação no Brasil em 2020

Número de visitas a sites de startups de tecnologia da educação no Brasil em 2020

Na última década, observamos um aumento da demanda por tecnologia na educação; já o último ano acelerou a adesão urgente por razões bastante óbvias. Hoje, o papel da tecnologia no cenário educacional é essencial, e continuará sendo fundamental no futuro pós-pandêmico. No entanto, se quisermos preencher a lacuna entre o que verdadeiramente pode ser descartado com a tecnologia certa e nos contentarmos com ferramentas que resolvem algumas questões, nós precisaremos mudar a abordagem em relação à forma que criamos e desenvolvemos tecnologias para educação.
Não existe uma abordagem única para a educação e, como tal, nenhuma solução que aborde todos os desafios virtuais enfrentados no dia-a-dia. A aprendizagem é ensinada, consumida e aplicada de forma diferente, dependendo do aluno e do professor.

Desenvolvendo tecnologias com educadores em mente

Até agora, as ferramentas de tecnologia no mercado têm sido criadas sem a colaboração de educadores. As plataformas disponíveis no mercado são boas o suficiente para preencher a necessidade urgente do aprendizado virtual. No entanto, muitas delas foram desenvolvidas pré-pandemia, e portanto, não foram criadas para o cenário em que nos encontramos.

Independente se a tecnologia servirá a um propósito específico ou se encaixará em nossas necessidades cada vez mais dentro de um contexto de educação remota, nós precisamos desenvolver ferramentas a partir do zero.

Existe uma responsabilidade crescente de fazer amizade com os educadores de hoje, de trabalhar mais próximo deles para obter feedbacks diretos de professores e tutores que podem ajudar a moldar e customizar tecnologias que estão sendo desenvolvidas, para que se garanta que elas se adequem às necessidades diárias do ambiente virtual.

Construindo um futuro educacional para as gerações futuras

As gerações mais jovens, como zennials (nascidos entre 1995 e 2010) e alphas (nascidos a partir de 2010), sofreram com as mudanças da educação em plena pandemia. Nós ainda não sabemos qual será o verdadeiro impacto para essas gerações no futuro, sem a socialização e a interação presencial como parte do processo educacional.

Tendências da indústria de EdTeck

Tecnologia da educação

Se o ano passado nos ensinou alguma coisa, é que os líderes empresariais, inovadores de tecnologia e empreendedores têm responsabilidade com o futuro. Não podemos continuar a desenvolver brinquedos e ferramentas de tecnologia sem a contribuição contínua, direta e envolvida dos educadores na linha de frente.

Combinando a tecnologia de hoje com as demandas educacionais, temos o poder de criar ferramentas incríveis capazes de mudar o processo de aprendizagem, estimulando estudantes a obterem melhores performances acadêmicas. Além disso, o aprendizado do período pandêmico nos ensina que devemos estar preparados para diversos cenários onde a tecnologia desempenhará um importante papel.

Novas tecnologias também oferecem aos estudantes um feedback mais objetivo, que o ensinamento presencial não consegue entregar. A inteligência artificial, por exemplo, gera insights únicos orientados por dados, providenciando informações objetivas em relação à performance do estudante.

Características como empatia e auto expressão podem ser praticadas se os estudantes se comunicarem com recursos movidos por inteligência artificial. Este tipo de interação pode ser mensurada e analisada para gerar avaliações e notas melhoradas, e repetido com a frequência necessária, aumentando e melhorando a conexão emocional. Estudantes não precisam estar no mesmo ambiente que seus professores para usufruir destes benefícios.

A adesão de realidade estendida beneficiou diversas instituições de ensino. Custos significativos são associados à viagens, tempo e carga pessoal de treinamentos presenciais dentro do setor educacional. Abraçar a realidade estendida pode ajudar os educadores a reduzirem tempo e dinheiro sem comprometer a qualidade da entrega. Uma vez que uma simulação é criada, ela pode ser utilizada repetidamente, aumentando as taxas de retenção de conhecimento ao mesmo tempo em que padroniza o ensino em todas as turmas e instituições; e ajudando os educadores a obter o maior retorno possível.

No atual cenário, a tecnologia de realidade estendida ajuda a manter alunos seguros. Simulações realistas, testes interativos e oportunidades melhoradas para prática e feedback significam que se perde muito pouco ao abrir mão das salas de aula presenciais. Universidades, faculdades de medicina, e escolas de ensino fundamental e médio podem fazer excelente uso desta tecnologia enquanto protege seus professores e alunos.

O distanciamento social e as possibilidades de ensino para o futuro

Considerando que os últimos anos nos mostraram que o cenário pandêmico é uma grande incógnita, em um primeiro momento associamos tecnologias à soluções profissionais e educacionais consequentes do distanciamento social. Mas a verdade é que muitas destas tecnologias já vinham sendo testadas e usadas antes do COVID-19 estar presente em nossas vidas. No artigo acima, falamos da educação tradicional, que forma o indivíduo e depois o prepara para sua trajetória profissional, mas outros tipos de cursos e compartilhamento de conhecimento podem ser beneficiados com as ferramentas tecnológicas mencionadas.

Ainda que a tecnologia esteja cada vez mais presente em nossas vidas, nem todas as pessoas possuem internet em casa, ou dispositivos eletrônicos para facilitar o aprendizado de crianças e jovens. Quando se fala em EdTech, é muito mais fácil listar os benefícios do que os obstáculos. O acesso à tecnologia deve ser tão democratizado quanto o acesso à educação, porque muito em breve, ambos serão parte de uma mesma metodologia de aprendizado e formação de cidadãos. 

As gerações mais recentes cresceram com smartphones e dispositivos eletrônicos, e isso afetou sua forma de concentração e aprendizado. As novas abordagens tecnológicas na educação podem facilitar com que esses jovens aprendam à sua maneira, adaptando as salas de aulas, presenciais ou virtuais, para uma forma inédita de interagir e aprender. Educação é mais que aprender a somar, escrever ou decorar a tabela periódica: o ensino também molda o caráter do aluno. E a tecnologia pode ajudar o educador nesta que é sua principal missão.

 

 

 

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Quem escreveu este conteúdo:

Matias Lucena

Matias Lucena, bacharel em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), redator publicitário, ilustrador de final de semana e pós-graduando em User Experience Design and Beyond pela PUC -RS. The Wire é o melhor storytelling da TV, mas meu coração vai estar sempre com a Família Soprano.

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