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Só se fala nele. O Metaverso não é completamente novo, mas ganhou muita visibilidade no final de 2021, quando o CEO do Facebook, Mark Zuckerbeg, mudou o nome da empresa para Meta e anunciou seus planos de implementar o metaverso na vida cotidiana das pessoas. Apesar da grande visibilidade que esse ‘mundo digital’ ganhou após o anúncio do tio Zuck, ele já existe há um bom tempo e seus caminhos futuros são ainda bem incertos. Nesse artigo, vamos tentar debater alguns cenários possíveis para o metaverso e como o UX Design pode ser utilizado neles. Uma coisa é certa, seja lá como o metaverso for, as experiências de quem usá-lo serão bem diferentes das atuais  e precisarão de muito empenho dos especialistas em UX Design. 

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Afinal, o que é metaverso?

Essa é uma pergunta um tanto quanto difícil de responder ainda. Falar sobre o que significa o metaverso hoje corresponde a ter essa mesma discussão sobre o que a internet significava lá em 1970. Era um mundo novo com infinitas possibilidades, mas que precisava de diversas novas tecnologias para se concretizar, algumas nem imaginadas na época. 

Em uma definição mais simplificada, o metaverso seria um mundo digital que tenta replicar a realidade através de dispositivos digitais e tecnologias como a realidade virtual ou aumentada, por exemplo. Ele é uma vivência virtual em um espaço coletivo e compartilhado.

O termo surgiu pela primeira vez na obra Nevasca, de Neal Stephenson, de 1982, e apareceu em diversas outras obras de cyberpunk subsequentes. Uma obra que ficou famosa e ganhou popularidade após sua versão cinematográfica ser lançada foi Jogador Número 1, de Ernest Cline. A versão do Metaverso do livro é bastante semelhante com o que foi mostrado em teasers do Facebook, digo, Meta, ao anunciar a novidade. 

E como está o metaverso atualmente?

Infográfico sobre o que fazer no metaverson

Além da atenção que ganhou com o anúncio da Meta (Ex-Facebook), o metaverso já vem atraindo a atenção de outras grandes empresas e até de artistas como Lil Nas X, Justin Bieber e Ariana Grande.

O interesse do grande público também está aumentando. Mais de 1 milhão de pessoas utilizaram o óculos de realidade aumentada do Facebook, o Oculus, no dia do Natal. O aplicativo foi o mais baixado da semana. 

Em relação às grandes empresas, pelo menos 20% dos funcionários da Meta, cerca de 10 mil pessoas, estão trabalhando no metaverso. Fora o interesse de marcas como Nike, Adidas, Ray-Ban, Disney e Microsoft, com foco nas reuniões de trabalho. A Nike está construindo o primeiro Meta Parque Temático, o Nikeland, em parceria com a Roblox. A Forbes já indicou a seus leitores que eles devem investir no Metaverso e Barbados se tornará a primeira nação a ter uma embaixada no Metaverso.

Apesar de todo esse interesse, o metaverso ainda não é para todos. Como precisa ser, para que todos os objetivos mirabolantes das empresas dêem certo, inclusive ao se pensar no ambiente como uma grande nova plataforma de marketing, ainda precisamos de muita evolução tecnológica e até de regulamentação. 

Texto sobre aplicação do Metaverso no dia-a-dia

Atualmente, a experiência que se tem no que já existe do metaverso depende de muitos apetrechos, como óculos de realidade virtual, controles e luvas com sensores. Tudo isso acaba deixando a experiência como um todo meio ruim e nada amigável. Além dos equipamentos serem muito caros, ainda  assim proporcionam  experiências muito básicas. Mesmo com todo o hype e atenção que está ganhando, o metaverso ainda não tem um elemento-chave que o fará ter sucesso: engajamento do usuário e uma base de usuários dedicada. 

É aí que o UX Design entra. Com o foco no usuário, em resolver suas necessidades e transformar a experiência de interação com interfaces a mais fluida possível, UX Designers podem garantir que as pessoas queiram entrar no metaverso e explorá-lo. Com a diferença de que estarão interagindo com a interface de dentro dela. Além de poder garantir uma boa experiência até mesmo para os equipamentos de RV e RA, com o objetivo de que se tornem tão comuns quanto hoje são os smartphones.

O metaverso precisa de um design de experiência fluido e sólido, que faça os usuários retornarem a ele diversas vezes, através de conteúdos bem estabelecidos, sistemas de interação e pontos de interação que gerem engajamento.  

O que já temos que pode alavancar o metaverso? 

Um design atraente, que proporcione engajamento, com visual convincente e com uma experiência amigável é a chave para manter os usuários no metaverso. Para construir esse tipo de ecossistema interconectado, são necessárias habilidades táticas envolvendo programação e tecnologia. Algumas delas já estão disponíveis e sendo desenvolvidas aos poucos, como a Realidade Virtual (RV), a Realidade Aumentada (RA) e a Realidade Estendida (RE).

Mas muito mais do que a técnica, será preciso ter um entendimento profundo do comportamento humano e da psicologia para chegar ao cerne do sucesso no metaverso. Conforme ele impactar a vida das pessoas, potencialmente transformando como trabalhamos, estudamos, nos divertimos, consumimos e nos relacionamos um com o outro, também acabará tendo efeitos colaterais enormes em áreas sociais mais abrangentes, como novas formas e dimensões de comunicação e interação virtual, urbanização, transportes, consumo de energia, questões de saúde mental e até mesmo impactos na saúde física dos usuários.

É por isso que aplicar o UX Design no metaverso é tão desafiador, mas crucial.

Fatores primordias para construir o Metaverso

Sem contar nos impactos inevitáveis do varejo e de grandes marcas. A forma como o público irá consumir pode mudar drasticamente. Imagine que com a implementação da Realidade Virtual, um consumidor pode pegar e inspecionar, até mesmo experimentar um produto no metaverso antes de comprá-los, sem nem sair de casa. Grandes empresas podem ter até funcionários trabalhando no metaverso, prontos para ajudar os consumidores. 

Produtos de tecnologia imersiva e interações no Metaverso

Muitas dessas 3 tecnologias já estão bem desenvolvidas a partir de designers que trabalham para empresas de Inteligência Artificial e robôs humanóides ou para a indústria de Realidade Estendida. A UX Designer, Alexia Buclet, elencou alguns princípios ao criar para essas indústrias e que podem, de certa forma, serem aplicados no metaverso.

E onde o UX Design entra nesse metamundo?

Como já comentamos, o UX Design será uma área essencial para que o metaverso conquiste usuários a ponto de se tornar parte de nossa rotina. Alguns profissionais dizem que será necessário parar de pensar nas pessoas que irão interagir no mundo virtual como usuários, e passar a enxergá-las como jogadores, pois elas viverão e existirão dentro do metaverso. 

A partir da vasta experiência que se tem sobre UX Design em games, o ponto primordial é criar um design totalmente imersivo. As pessoas precisam estar imersas o suficiente não só para cumprir objetivos simples, mas para continuar indo atrás de outros. Esse tipo de comportamento continuará exigindo que os UX Designers expandam suas habilidades para campos como economia, sociologia, psicologia, entre outros. Isso porque haverá um novo dilema moral na criação desse mundo virtual que precisa ser levado em conta. Será preciso entender o metaverso como uma sociedade humana e não como apenas mais um produto ou serviço, pois as decisões dos designers terão essas repercussões maiores. 

Princípios dos UX Desigers

O principal continua valendo: as necessidades do seu usuário 

As necessidades dos usuários do metaverso continuam sendo importantes e o processo de adaptação precisa ser suave. UX Designers têm as habilidades e capacidades para tornar essas necessidades em serviços e produtos tangíveis, mitigando o risco de tornar o metaverso em algo que as pessoas não queiram. É preciso criar funcionalidades que façam sentido para as pessoas. Através de uma boa UX Research, é possível tornar essa descoberta mais rápida para as empresas. 

Outro ponto importante que pode ser sanado pelos UX Designers é a organização das informações que ficarão em menus, timers, status e direções no ambiente de interação. Como o metaverso continua sendo uma interface, mas com profundidade digamos assim, as mesmas premissas de arquitetura da informação continuam valendo, com alguns desafios a mais, é claro. 

Um dos principais desafios de UX Design no metaverso não está em tecnologias como VR ou RE. Mas sim em criar uma plataforma específica que cubra todos os aspectos de um universo padrão, respeitando regulamentações e demandas dos usuários, ao mesmo tempo em que permite que esse mesmo usuários seja criativo enquanto explora e usa o metaverso.

Imersão é a chave

Essa talvez seja a principal mudança na interação dos usuários com os produtos ou serviços. Imagine que em vez de apenas entrar em uma réplica de uma loja de roupas para frio, por exemplo, você pode participar de uma experiência de exploração no Ártico, e de lá comprar o seu casaco especial para neve. Assim, é possível ganhar conhecimento contextual sobre os produtos e sobre a qualidade técnica envolvida, comprar e receber no conforto de sua casa. Você pode comprar seu carro não apenas indo a um showroom virtual, mas fazendo um test drive na pista e no local que escolher, usando as características daquele carro. 

São mundos e ideias bem utópicas, mas que em algumas décadas podem fazer parte da nossa rotina, conforme o metaverso e suas tecnologias forem se desenvolvendo. 

Hoje, um bom design é intuitivo, fácil de usar, amigável e esteticamente agradável. Mas no metaverso, será algo completamente diferente – totalmente imersivo. Richard Bartle escreveu em seu livro Designing Virtual Worlds, se referindo a jogos, que “Quando um jogador e um personagem se fundem e se tornam uma persona, isso é imersão. É isso que os usuários conseguem de um mundo virtual que não conseguem de nenhum outro lugar. É aí que eles param de jogar o mundo virtual e começam a vivê-lo.”

Com todas as vantagens e desvantagens que nossa sociedade ganhará nessa nova realidade (virtual), uma coisa é certa, UX Design precisa estar envolvido para que as necessidades do usuário e as boas interações sejam preservadas.

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Quem escreveu este conteúdo:

Bruna Reis

Bruna é bacharel em Comunicação - Jornalismo pela PUCRS, cursando especialização em User Experience, também na PUCRS. Já foi repórter de portais de notícias e revistas de ciência. Hoje, dedica seu tempo a aprender cada vez mais sobre a arte da redação, aliada à experiência do usuário.

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